Seu sorriso,
Mesmo tímido, mudo,
Transfigura-me em alegria...
Ele é a luz, o sol,
Infinito dia.
Por entre os lábios
De sua boca grande
Um presságio.
O signo indecifrável,
O cântico...
Anunciando
Que a eternidade
Está contida
Nos segundos
Em que você Ri.
Puro.
Ingênuo.
O êxtase!
Um riso etéreo
Baila em minha alma...
E está tatuado,
'Silkado' em mim!
Já o sabia todo meu
Desde antes de te conhecer
(antes mesmo de você nascer!)
Em minha memória musical
Estará cifrado,
Eternizado
(como numa fotografia)
O som da sua gargalhada.
domingo, 30 de novembro de 2014
Aboio
Um dois três quatro
Quatro três dois um
Formação!
Sim, senhor!
Esquerda Volver!
Direita Volver!
Sim, sinhô!
Ê boi!
Ê ôo.
Quatro três dois um
Formação!
Sim, senhor!
Esquerda Volver!
Direita Volver!
Sim, sinhô!
Ê boi!
Ê ôo.
Caliandra
Vermelho!
Pétalas de fogo
Incêndio sob o sol.
Uma flor em carne viva:
Caliandra.
Primavera que arde...
O verde opaco do cerrado
Ressalta as setas rubras
Que vicejam.
Cada pétala é um raio de luz.
Sua seiva é de sangue
E escorre em veias que latejam.
Caliandra,
Ramalhete Incandescente
Vegetal que sangra
Flor que pulsa.
Beleza que fere a vista
De quem desconhece o cerrado.
Vibrante rubi
Flor carnívora
Que nasceu no meu quintal
Violentou minha retina
Devorou minha alma
E a si própria consumiu
Na tarde quente.
Pétalas de fogo
Incêndio sob o sol.
Uma flor em carne viva:
Caliandra.
Primavera que arde...
O verde opaco do cerrado
Ressalta as setas rubras
Que vicejam.
Cada pétala é um raio de luz.
Sua seiva é de sangue
E escorre em veias que latejam.
Caliandra,
Ramalhete Incandescente
Vegetal que sangra
Flor que pulsa.
Beleza que fere a vista
De quem desconhece o cerrado.
Vibrante rubi
Flor carnívora
Que nasceu no meu quintal
Violentou minha retina
Devorou minha alma
E a si própria consumiu
Na tarde quente.
Rafael Oliveira
Perguntado sobre o seu processo criativo, o escritor respondeu: “A vontade de escrever é como uma coceira. Inquieta a gente. Não tem como resistir. Tenho vontade de escrever quando não tem papel à mão: no meio da rua, na fila do banco, numa festa, no ônibus. Escrevo quase que por necessidade.”
E ainda: “Gosto de escrever poemas. Gosto da liberdade que é própria da poesia. Escrevo para desnudar a alma, com liberdade, e lançar as palavras sem pretensão de informar ou esclarecer, apenas pela necessidade de expressar o que é etéreo (o pensamento, o sentimento, o inconsciente). No poema é permitido falar de mim, do rio, do cerrado, do cotidiano, do que agrada, do que aborrece, do que há de luz e de obscuridade no ser humano. Do outro lado, o leitor tem toda a liberdade de degustar o poema como bem entender. Essa liberdade e fluidez que a palavra adquire com a poesia é o que me fascina.”
facebook: Rafael Oliveira
David Nascimento
O processo criativo
surge da minha distração, sempre estou à procura de situações que me levam a
outra dimensão, fazendo produzir com mais intensidade. Distraio-me em
simplicidades, e a simplicidade hipnótica do olhar é a principal das minhas
distrações. Eu acho que, das coisas que me motivam, a visão aberta e ilimitada
é a mais importante. Sou muito questionado quanto à maneira que retrato o olhar
em minhas obras. Vai além de uma fissura desde que me entendo por gente,
percepção, atenção, cuidado, perspicácia são coisas que as pessoas me cobram
com intensidade, e a melhor maneira que encontrei para evoluir nesse sentido,
foi a de inserir isso na minha arte.
Estou em um processo corrosivo de encontro, com
tantos recursos, a arte se expande de forma monstruosa. Mas isso vai além do
pessoal, abrange algo que todo o mundo deveria ter: a visão completa dos
sentidos vista de todos os ângulos, a mostra da realidade no irreal e o
abandono dos limites referenciais.
Minhas duas maiores influências tiveram vidas
opostas, mas viveram de forma intensa: uma foi mulher, sofreu e amou com
intensidade, teve como única alternativa, a pintura. Pintava sua realidade, a
realidade do sofrimento, não se deixou vegetar. O outro se intitulava o próprio
surrealismo, teve uma base oposta, uma evolução prematura e transgressora.
Descobri em mim, a oportunidade de ser sonho e
realidade, quebrar essa tênue e acompanhar com suavidade a minha evolução.
Lembro-me de que, ainda pirralho, na casa da minha avó, pegava caracóis em
tempo de chuva e pintava suas conchas. Eu enxergava mais vida, acho que todos
deveriam pintar suas conchas, não se limitar na proteção, fazer dela seu acervo
de sonhos.
- David Nascimento, em entrevista concedida ao Salto, 03 de outubro de 2014.
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